Quanto o Brasil realmente investe em educação pública? - SISE: SINDICATO DOS SERVIDORES EM EDUCAÇÃO DE CAMPO FORMOSO

Quanto o Brasil realmente investe em educação pública?

Escrito por Otaviano Helene 
 
 

As principais fontes de financiamento da educação pública no Brasil são as arrecadações de impostos federais, estaduais e municipais e o salário-educação. No caso dos impostos, há percentuais mínimos a serem destinados à educação, estabelecidos nas constituições nacional e estaduais e em leis municipais. Esses percentuais são 18% para a União e entre 25% e 35% para os Estados e municípios. O salário educação, por sua vez, corresponde a 2,5% das folhas de pagamentos. (O salário-educação não atinge a totalidade dos assalariados, pois há vários setores isentos dessa contribuição.) Portanto, uma primeira forma de se estimarem os recursos que vão para a educação pública é simplesmente calcular aqueles percentuais.

 

Por exemplo, para o ano de 2009, para o qual há dados já suficientemente consolidados dos orçamentos públicos das três esferas de governo, obtivemos o valor de 163 bilhões de reais para os gastos públicos com educação, o que correspondeu a 5% do PIB daquele ano (de 3,2 trilhões de reais).

 

É necessário observar que esse valor de 5% do PIB em 2009 é significativamente superior ao que o setor dispunha há cerca de uma década antes, quando não atingia sequer 4% do PIB. Entre as razões para o aumento da participação da educação no PIB brasileiro está o aumento da arrecadação pública, que passou de um valor próximo dos 30% do PIB por volta do ano 2000 para cerca de 35% em anos mais recentes, aumento esse possivelmente provocado pelo aumento real da renda per capita no país e o aumento da formalização da economia. Ainda outro fator a melhorar a arrecadação pública pode ter sido um esforço, inclusive de governos estaduais e municipais, no sentido de reduzir a sonegação e a evasão fiscal.

 

A partir de 2009, com a redução do efeito da Desvinculação de Recursos da União (a conhecida DRU) sobre os investimentos federais na educação, adotada gradualmente a partir daquela data e em sua totalidade a partir de 2011, os recursos disponíveis ao setor cresceram cerca de 0,3% do PIB. Portanto, a educação pública poderia dispor, hoje, de um valor da ordem de 5,3% do PIB.

Ilegalidade, truques e maquiagens

 

Entretanto, muitos fatores contribuem para fazer com que os investimentos educacionais efetivos (aqueles que são transformados em salários de professores e demais trabalhadores da área, instalações e equipamentos escolares, atendimento dos alunos etc.) fiquem abaixo daqueles 5,3% do PIB. Um deles é que muitos municípios e estados simplesmente não investem na educação os percentuais mínimos exigidos. Outro fator, ainda, é a possibilidade de driblar a lei. Um exemplo disso é não considerar o imposto de renda descontado das folhas de pagamento de servidores (o qual fica integralmente com o ente da federação que paga o salário) no cálculo do imposto recebido.

 

A inexistência de uma regulamentação que defina de forma completa, sem ambiguidade e omissões, o que pode e o que não pode ser considerado gasto com educação é mais um fator a reduzir os recursos para o setor. Por exemplo, podem estar incluídas como despesas públicas com educação coisas que nada têm a ver com ela: transferências para instituições privadas, despesas correspondentes ao desenvolvimento científico e tecnológico (por sinal computadas também entre os investimentos em ciência e tecnologia, configurando dupla contabilidade) e diversas despesas de atendimento à população que aparecem incluídas nos orçamentos de secretarias e órgãos de educação. Um exemplo concreto da possibilidade dessa prática é fornecido pela lei que alterou, em 2007, o sistema previdenciário dos servidores públicos do estado de São Paulo, a qual prevê que os “valores dos benefícios pagos pela SPPREV (órgão responsável pelo sistema previdenciário paulista) serão (…) computados para efeito de cumprimento de vinculações legais e constitucionais de gastos em áreas específicas”, prática também adotada em outros estados. Ou seja, o pagamento de um aposentado da área de educação deve ser considerado como gasto em educação (mas, claro, essa despesa também é incluída entre os gastos previdenciários, novamente outro tipo de dupla contabilidade).

 

Além desses procedimentos, há muitos outros, fazendo com que os recursos realmente destinados à educação pública devam ser inferiores àqueles 5,3% do PIB que, embora definido por leis e constituições como sendo um valor mínimo, é, na prática, um valor máximo.

 

Outra forma de estimar os investimentos públicos em educação é considerar o Fundeb, cujo valor total previsto para 2013 é de 117 bilhões de reais. Considerando o fato de que há outros recursos para a educação básica além do previsto naquele fundo e a existência do ensino superior, este correspondendo a cerca de 1/6 das despesas educacionais, podemos estimar os investimentos públicos em educação no Brasil, a valores de 2013, em 200 bilhões de reais, valor equivalente a 4,2% do PIB no mesmo ano (estimado em 4,8 trilhões de reais).

 

Portanto, os recursos públicos para a educação no Brasil correspondem, hoje, a um valor entre 4,2% e 5,3% do PIB, sendo possivelmente mais próximo do menor deles.

 

Leia também:

Os recursos do Pré-Sal para a educação

Argumentos contra o financiamento do novo Plano Nacional de Educação são falsos e enviesados

Luta deve ser por um sistema público de educação referenciado na sociedade e suas necessidades

 

Otaviano Helene, professor no Instituto de Física da USP, foi presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

 

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📻 COMUNICAÇÃO SINDICAL🎙
O Secretário de Imprensa do SISE, Sindicato dos Servidores em Educação no Município de Campo Formoso/BA, Márcio Alcantara, participou, na última terça-feira, 26/05, da 1ª reunião do Coletivo de Imprensa e Divulgação da CNTE | Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação - Gestão 2026-2030.
A reunião foi conduzida pela Secretária de Imprensa e Divulgação da CNTE, Iêda Leal, com as assessorias de Ana Paula Messeder e João Paulo, e teve por objetivo apresentar as principais ações da comunicação da confederação sob nova composição diretiva, acolher as principais reivindicações dos secretários e secretárias de imprensa das diversas entidades filiadas e alinhar a comunicação sindical com base no calendário de mobilizações da CNTE.
O referido encontro virtual foi bastante produtivo, possibilitando a aquisição de conhecimentos novos, troca de experiências, alinhamento e auxílio mútuo para aplicação de novas estratégias de comunicação visando maior produtividade, foco e clareza na arte de comunicar.
Agradecemos à CNTE pelo suporte ofertado a esta entidade sindical em todas as áreas, especialmente no que concerne à Secretaria de Imprensa e Divulgação (SID).

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💰 APROVADO! ✅️
Presidente do SISE, Jorgean da Silva, fala sobre a aprovação do PLE N° 014/2026 - reajuste salarial para os profissionais do magistério público municipal.

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💰 REAJUSTE DOS PROFESSORES 📚
Nesta terça-feira, 26/05, sob o acompanhamento do presidente do SISE, Jorgean da Silva, foi aprovado na Câmara Municipal de Vereadores de Campo Formoso/BA, o PL N° 014/2026, de autoria do Poder Executivo Municipal, o qual concede o percentual de 5,4% de reajuste salarial para os profissionais do magistério da rede pública de ensino do município de Campo Formoso, em consonância com a MP 1334/2026 e Lei Federal 11.738/2008. 
O percentual acima referido será aplicado à tabela salarial dos professores, havendo, portanto, repercussão na carreira dos respectivos profissionais.
É uma grande conquista desta entidade sindical, fruto da lida constante por valorização profissional e da sensibilidade da gestão municipal, a qual tem cumprido desde 2021 a aplicação do Piso do Magistério na carreira. 
É importante destacar, ainda, que no ano 2021  o Piso Salarial Nacional apresentou reajuste zerado em razão de variação negativa do cálculo em face do período pandêmico. Todavia, a época a gestão municipal concedeu , por intermédio das negociações deste sindicato, o percentual de correção inflacionária de 4,52%, valor superior ao Piso Salarial daquele ano.
Agradecemos à gestão administrativa municipal pelo encaminhamento do projeto e ao Poder Legislativo Municipal pela aprovação.
Cada conquista merece ser valorizada! 🎊🎉
SISE: em defesa do servidor!

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😔
NOTA DE PESAR
Comunicamos o falecimento de Marlene Alves da Silva, irmã da querida sócia Erita Márcia da Silva Oliveira.

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NOTA DE PESAR

Comunicamos o falecimento de Marlene Alves da Silva, irmã da querida sócia Erita Márcia da Silva Oliveira.
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📚
EDUCAR, ENVOLVER, PROGREDIR...
A nossa luta é permanente por melhor qualidade da educação pública e maior valorização profissional, resguardando os diretos da classe trabalhadora e conquistando novas vitórias para a categoria educacional.
"SISE: em defesa do servidor!"

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