Postado por em 30-10-2018 Imprimir . A+ . A-

Que Campo Formoso podemos esperar do futuro?

Of Mountains & Printing Presses

A ascenção de Jair Bolsonaro ao cargo mais alto da nação certamente reverberará no nosso rincão, como a eleição de qualquer outro, porém, este novo mandatário encerra em si questões muito peculiares. Ele significa uma ruptura total com os modelos de governo que se impuseram pelo voto ou pelo impeachment de 1988 até agora, talvez o mais próximo tenha sido o governo Collor, mas, certamente, o psselista guardará certa distância dos governos neo-liberais e estará a anos luz do modelo progressista do PT. O mais provável e que tenhamos um neo-liberalismo mais aprofundado, com o toque de teocracia, apimentado com nuances de um tipo híbrido de fascismo à brasileira, muito arraigado na visão militarista do mundo. A composição política é uma incógnita, não sabemos se prevalecerá o centrão ou o baixo clero, lugar de origem do novo chefe e que, para quem não lembra, nos brindou com Severino Cavalcanti, quem lembrar levante a mão!

A economia também nos intriga, perguntaremos tudo no Posto Ipiranga ou sairá alguma coisa do vácuo que parece existir na cabeça do novo presidente. Se analisarmos os precedentes, não podemos esperar boa coisa, especialmente para a classe trabalhadora, tendo como base os votos do deputado na “reformas” de Temer e o modelo de economia no qual o Guedes acredita.

E nós com isso…???

O cenário para Campo Formoso é controverso, o município depende muito de verbas carimbadas, como os repasses do FUNDEB que acaba em 2020 e o novo líder parece não saber muito bem o que fará. O “mais Brasil e menos Brasília” parece muito vago. O FNS é outro caso que inspira preocupação e o dinheiro que chega para a Ação Social tende a miar. Além disso, não podemos esquecer que tudo aí se enquadra no teto de gastos (PEC 95). Então a tendência é que o município tenha menos dinheiro a partir do próximo ano. Quando analisamos as relações de forças partidárias também será inusitado. O deputado estadual e a prefeita terão que equalizar o fato de pertencerem á base de apoio a um governo de esquerda no âmbito estadual e ao mesmo tempo verem o PSD, por meio do presidente Kassab, flertando com o poder central em Brasília. Essa articulação dependerá e muito de como se comportarão os interlocutores federais Nunes, Coronel e especialmente Otto Alencar. Já o deputado federal, aparentemente terá vida mais fácil, principalmente pela presença do seu correligionário Onix Lorenzoni no segundo cargo mais poderoso do Planalto, já que no Brasil os vices no campo político tendem ao ostrcismo. Resta torcer para que a polaridade da “bocas” gere algum tipo de competitividade que possa dar ao município alguma visibilidade. Lembrando que não podemos esquecer que a Bahia foi o estado mais populoso a escolher Fernando Haddad. 

E os nossos direitos…

Certamente, é preocupante lembrar de uma fase marcante do novo presidente, onde ele afirma que os trabalhadores precisam optar entre o emprego e os direitos. Também, é difícil ignorar a forma como o presidente eleito votou nas alterações propostas pelo atual, se a lógica persistir, a maneira como conhecemos o trabalho hoje no Brasil passará por uma reformulação profunda.

Se o “homem” sair do personagem e se tornar presidente. As entidades representativas dos trabalhadores vão ter muito trabalho e terão que se articular para fazer frente a algumas “genialidades” neo-liberais. Porém, se o personagem for o “homem”, a prioridade dos sindicatos será sobreviver, para depois pensar em defender conquistas e buscar novos direitos.

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