Postado por em 30-09-2017 Imprimir . A+ . A-

66 DIAS DE GREVE: Uma guerra com muitos capítulos.

onO ano de 2017 é histórico para a educação de Campo Formoso. Como todos os anos recentes onde houve mudança de governo na gestão do município, começamos o ano brigando para receber o salário de dezembro passado, uma cultura perversa estabelecida pela irresponsabilidade de gestores pretéritos, que passou a contar com a irredutibilidade da atual gestão. Diante da frustração das negociações foi deflagrada aquela primeira greve, que teve sua duração abreviada por uma decisão questionável daquela que se tornaria personagem central na história, primeiro por julgar um processo, em caráter liminar, com base em dados periféricos sem tocar no cerne da questão, uma forma, ao nosso ver de fugir da verdadeira decisão. Felizmente, havíamos movido processo na comarca local e, na audiência preliminar, tivemos bases sólidas para forçar um acordo, apesar da pesada influência política, da ação controversa do Ministério Público e da traição de membros da própria categoria. Mas naquele enfadonho 28 de março, resolveu-se uma questão e prenunciou-se uma tempestade, ao mencionarmos a vindoura discussão do reajuste, a resposta cínica porém profética dos representantes do poder público foi: “outra greve! Dito por quem já conhecia o espírito intransigente que passaria a dominar a gestão do município e já desconfiava, do admirável espírito aguerrido que esta classe tem demonstrado nestes tempos nefastos.

E a profecia se cumpriu, diante da promessa de reajuste e ou recomposição salarial ZERO, do descumprimento do piso do magistério, somado a um pacote variado de ameaças, de perseguições de cortes salarias, de retirada de vantagens, houve o despertar do espírito de luta da categoria. Este despertar permanece vivo e pulsante pelos últimos 66 dias, graças á coragem, a garra as lágrimas e o suor de um grupo de lutadores da educação, que tem enfrentado grandes tribulações. A cada dia, somos obrigados a conviver com a covardia de uns, a omissão de outros, a fraqueza de muitos, as ameaças, as perseguições, as chacotas, a retirada do bem fundamental á sobrevivência de todos que é o salário. Porém, de todos os flagelos, o mais doloroso é o da incerteza e o da incredulidade daquilo que nos acostumamos a chamar de justiça. Onde está ela, que parece não agir com a cegueira da imparcialidade mas dá demonstrações de age com a cegueira da morosidade, submetendo pais de família á beira do total comprometimento de sua saúde financeira, com sérias implicações em sua saúde física e psicológica. O que dizer de um cenário em que o município descumpre a constituição, descumpre leis federais e municipais, faz e cumpre ameaças, corta salários mesmo sem autorização judicial e na contramão de tudo isso, a resposta da justiça é uma sucessão de declarações de incompetência que cumprem, de maneira severa um papel favorável ao município ao protelar uma decisão que causa profundos prejuízos aos maiores interessados na questão, educadores e educandos. Até o momento o nosso processo passou pela mão de 3 desembargadores, indo parar na vice presidência, enquanto isso, direitos constitucionais são execrados sem o menor pudor. O cenário final é um grupo de lutadores que insistem em buscar o que lhes é de direito, uma gestão pautada na intransigência que parece não se importar com os descaminhos educacionais de seus cidadãos e uma justiça que, a cada dia parece sucumbir ao desejo de ser chamada de lenta, morosa e politicamente influenciável. gr

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